Notícias

A importância da inovação nas PME’s em tempos de crise


08 Jul 2016

Por Revista DesenvolveSP - edição 4

Por Luiz Serafim

A inovação do século 20 teve grandes conglomerados industriais como protagonistas. Empresas como 3M, GE, Basf, Dupont e IBM lançaram as bases contemporâneas da gestão da inovação, consolidando estratégias, processos e desenhos organizacionais, com impulso à pesquisa científica e ao desenvolvimento tecnológico. A 3M, empresa onde atuo há duas décadas, talvez seja a principal referência em inovação, sendo tricampeã do Prêmio Best Innovator, promovido pela consultoria A.T. Kearney.

Neste início de milênio, a grande novidade da inovação são as PMEs, as microempresas, as startups. Ainda que as organizações globais se mantenham relevantes, transformações do macroambiente, anabolizadas pela revolução digital, tornaram o conhecimento acessível e as tecnologias mais baratas. Hoje é possível que um negócio destrutivo ganhe escala planetária em pouco tempo como aconteceu com Google e Waze.

Assim, adaptando um dos títulos de Guimarães Rosa, vivemos “a Hora e a Vez das PMEs”. Elas devem tirar proveito de todo aprendizado acumulado pelas empresas pioneiras enquanto desenvolvem seus próprios mecanismos de leitura e adaptação ao mercado.

Uma das inspirações que busco levar como professor, palestrante e embaixador da 3M é que inovar envolve criação de valor com base em necessidades, experiências e motivações dos clientes. Assim, não é só questão de ter “uma grande ideia original”. É essencial que as pessoas percebam valor na oferta para adotá-la. Além disso, o sucesso da inovação dependerá de seu processo de produção, logística, da efetividade de sua comercialização dentro de modelo sustentável que gere resultados. A PME precisa criar essa visão robusta de value proposition e cadeia de valor em seu negócio.

Outro aprendizado importante é romper a visão excessivamente romântica sobre inovação. Embora toda empresa deva consolidar uma cultura em que os colaboradores se comportem como intraempreendedores engajados, as organizações inovadoras trabalham pesadamente em suas estratégias. Assim, se você é uma PME, não imagine que as mais revolucionárias companhias inovam a esmo, apostando só na motivação e criatividade de cada um. A 3M cultiva um ambiente de liberdade, de meritocracia e de tolerância ao erro, estimula a tomada de risco e intensa colaboração. Isso é o alicerce básico. Investimos pesadamente para adquirir, compartilhar e gerir conhecimento que deve ser aplicado à vida das pessoas e dos clientes. Priorizamos mercados e clientes, avaliamos tendências e oportunidades adjacentes, apostamos em desenvolver tecnologias e oferecer serviços.

Inovadores sempre colocam o cliente no centro das decisões, mergulhando em seu universo para compreender seus critérios, comportamentos e jornadas, pontos de partida para criação de soluções diferenciadas e melhores experiências.

Com as PMEs, a orientação não pode ser diferente. Elas precisam desenhar o mapa de seu futuro, elencando as principais oportunidades, dedicando esforço para compreender profundamente os problemas dos clientes a ser resolvidos, analisando tendências, estabelecendo parcerias, gerando e aplicando conhecimento para produzir soluções inovadoras.

A crise exige mais criatividade, análise e priorização para seguir em frente com os projetos. Com riscos maiores e recursos escassos, precisamos focar em poucas iniciativas com potencial para mudar o patamar da empresa enquanto devemos dedicar mais energia para atividades relacionadas ao cliente. Excelência operacional é essencial em tempos bicudos. Controlar o que se pode, economizar onde for possível para investir nos projetos críticos.

Luiz Serafim é head de Marketing da 3M do Brasil. É graduado em publicidade (ECA-USP) e administração de empresas (EAESP/FGV), com pósgraduação em marketing (EAESP/ FGV) e especialização em desenvolvimento do potencial humano (Puccamp). Também atua como professor e é autor do livro “O Poder da Inovação” (ed.Saraiva), onde compartilha os conceitos e princípios da gestão da inovação, com exemplos da própria 3M e de outras empresas

Fonte: Revista DesenvolveSP - edição 4, p. 24