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Doce vira brinde corporativo e setor aproveita tendência para encher o bolso

Estadão PME - 22/10/2014
23 Out 2014

Docerias se transformam em fornecedoras de 'lembrancinhas' de festas e eventos corporativos

A procura corporativa – seja para festas ou simplesmente para a composição de brindes – tem renovado o fôlego das docerias brasileiras. Um mercado novo, notabilizado por um cliente exigente que obriga as empresas do setor a investirem em cuidados extras com a marca e a diversificação da oferta.

A paulistana Fernanda Zecker representa bem esse novo momento. Em 2011, a advogada começou a preparar os cheesecakes para amigos e colegas do trabalho. Em pouco tempo ela já fornecia para festas de casamento e, hoje, é requisitada por empresas. “Começaram a surgir convites para fazer festas, lembrancinhas de empresa, (brindes em) estandes imobiliários, e por aí vai”, conta ela.

O negócio cresce tanto que Fernanda largou o emprego no escritório, investiu R$110 mil e abriu a Cheesecakeria no começo deste ano, no bairro de Moema, em São Paulo. A produção saltou de 15 bolos e 100 mini cheesecakes para uma média de 120 bolos inteiros e 3 mil mini unidades por mês. O grosso do faturamento, hoje na casa dos R$ 60 mil mensais, vem da operação na loja. Contudo, um número expressivo dessa receita, cerca de 30%, é decorrente de encomendas corporativas. “Além dos contatos que já tenho, converso e envio degustações para assessorias que promovem casamentos e agências de eventos. Continuamos prospectando novos parceiros.”

Na opinião do consultor Adri Vicente Junior, da Food Service Company, o segmento de doces se beneficia de uma recente onda de diversificação das ‘lembrancinhas’. “Antes, todo mundo dava caneta, agenda de presente. Agora são produtos diversos, inclusive doces”, afirma. “Os eventos servem para aumentar o raio de ação da empresa, que de outra forma ficaria restrita a um bairro ou a uma região. Dificilmente alguém vem de longe só para comer o seu doce”, ele conclui.

Quem conhece bem essa história é a empresária Cátia Farias, da Bendito Quindim. A ex-dona de casa afirma que as encomendas empresariais respondem por até 40% da receita da doceria, que produz cerca de 45 mil doces por mês. O único problema, ela frisa, é que o número de pedidos nunca é constante ao longo do ano. “Não dá para prever o número de pedidos nem o tamanho deles. Tem pedido de 500 doces, mas tem outros de cinco, dez mil, que te sustentam pelo mês”, ela explica.

Há 27 anos no mercado, a Chocolat du Jour atende clientes corporativos desde o início da empresa, mas há cinco anos ela começou a divulgar sua linha de 25 produtos dedicados ao nicho. Segundo Patrícia Landmann, filha dos fundadores e atualmente diretora de marketing da marca, as empresas impactam em cerca de 20% do faturamento, que está na casa dos R$ 10 milhões. “É interessante porque a quantidade de pedidos é menor, mas o tíquete médio é maior”, afirma.

Para se adequar ao padrão de exigência desse segmento, Patrícia investiu em embalagens maiores, confeccionadas exclusivamente para esse mercado. Da mesma forma que os concorrentes, ela oferece um serviço de customização das embalagens de acordo com as necessidades do cliente. “Tem gente que quer personalizar tudo, já outros gostam que a marca Chocolat du Jour fique evidente.”

Inovação. Para quem está pensando em investir nesse ramo, o consultor do Sebrae Haroldo Eiji Matsumoto lembra que uma parte desse mercado move-se por ondas de novidades. Por isso, ele indica fugir da oferta por doces tradicionais, como brigadeiros ou beijinhos. “(Esse tipo de produto) tem máquina que faz para você. O mercado quer produtos artesanais”, adverte. Outra dica do consultor é pensar com carinho na embalagem do produto. A apresentação é um fator importante nesse mercado e é preciso investir para conseguir encantar. “Isso significa que a embalagem representará bastante do seu custo final”, afirma.

Ponto a Ponto: Sazonalidade desafia o empresário

Segundo o consultor Haroldo Matsumoto, do Sebrae-SP, o empresário que quiser faturar com doces deve estar atento às questões sazonais e de imprevisibilidade dos pedidos

Estratégia

Para driblar a baixa procura no verão, uma dica é ampliar o mix de produtos e diversificar sua divulgação, com destaque para os locais de alto fluxo, como hotéis.

Preço

Dê preferência ao processo artesanal de produção, mas tenha em mente que, quanto menos industrializado, maior é o impacto da mão de obra no custo final.

Qualidade

Nem sempre a sua receita de família vai se adequar à produções em massa. Identifique processos para não comprometer a qualidade doseu produto.

Divulgação

Invista em um site bonito e com fotos caprichadas, assim como também no relacionamento com as agências de eventos que  operam como intermediários.

Balcão

Não deixe de vender para o cliente final. As margens são maiores e um cliente assíduo pode sempre virar parceiro de negócios.

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