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Guia prático para investir em uma startup com sucesso


02 Jun 2015

Por Daniel Schnaider

Há algum tempo participei de um grupo contratado para analisar startups com potencial para receber apoio de investidores que buscavam no mercado de tecnologia uma forma de diversificar suas aplicações. Mais de três mil empresas participaram do processo, sendo que cerca de mil delas se classificaram para uma segunda etapa, em que foram visitadas pelos consultores. Neste grupo analisado, apenas cem empresas foram recomendadas como boas opções para se investir, pois apresentavam de fato um bom mix de inovação, sustentabilidade e equipe.

As startups representam um nicho promissor e lucrativo no Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Startups, já são mais de 10 mil empresas no país com este perfil. No entanto, a alta competitividade e a falta de experiência da maioria das equipes exigem uma atenção especial do investidor. Ele deve entender que essas empresas não precisam somente de dinheiro, mas também de pessoas que as ajudem a “abrir as portas” do mercado.

As startups devem priorizar a criação de um modelo sustentável, de modo a criar um fluxo de caixa que torne o processo operacional viável. Se a empresa não conseguir solidez logo no início, ela corre o risco de deixar de existir, não importa o quão brilhante e inovadora seja a sua ideia. Mas, para alcançar esse equilíbrio, não é necessário somente o capital; há diversos outros fatores envolvidos.

A melhor recomendação para quem quer investir em uma startup é se engajar em uma área da qual já tenha conhecimento. Por exemplo, se você é um médico bem sucedido, por que não investir em um novo gadget que possa melhorar a qualidade de vida dos seus pacientes? Você será capaz contribuir não somente com o dinheiro, mas também com as suas experiências, com seu conhecimento acadêmico-científico e com os seus contatos na busca por parcerias e divulgação. A maioria dos projetos de tecnologia são geridos essencialmente por profissionais da computação e da engenharia. A contribuição de outras áreas de conhecimento pode gerar experiências fantásticas. Mark Zuckerberg, por exemplo, quando deu início ao Facebook,tinha o know-how de como criar o produto em sua essência, mas certamente contou com a ajuda de muitos outros profissionais (de marketing, finanças, engenharia etc.) para proporcionar as dimensões globais à sua ideia original.

Por isso é importante que, muito mais do que investir dinheiro, você maximize  as chances de sucesso da startup contribuindo com a sua expertise e sua rede de relacionamentos. Desse modo, você poderá trilhar um caminho de sucesso para este modelo de negócio que se mostra muito promissor.

 

Daniel é economista, consultor de negócios e sócio do SCAI Group.*

*Os fatos e opiniões contidos neste artigo são de responsabilidades de seu autor