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Revista Desenvolve SP - 3ª edição - Págs. 16 a 18
12 Mai 2015

Por Revista Desenvolve SP - 3ª edição

Modelo de sucesso em vários locais, como o Vale do Silício (EUA), as startups começam a ganhar espaço e destaque no Brasil

Afinal, o que é uma startup? Existem muitos conceitos, mas poucas definições. Na opinião de Vitor Andrade, coordenador de operações do Programa Startup Brasil, são empresas jovens ou nascentes que ainda buscam um modelo de negócio para colocar no mercado, que seja uma ideia inovadora – resolva alguma demanda ainda sem solução; seja repetível – utilizável por grande grupo de pessoas ou empresas; e escalável – capaz de ser reproduzido em larga escala sem grandes custos operacionais.

Francisco Jardim, sócio da SP Ventures, gestora do Fundo de Inovação Paulista, idealizado pela Desenvolve SP, prefere usar a frase de Neil Blumenthal, empreendedor norte-americano, CEO da Warby Parker. “Segundo Blumenthal, ‘uma startup é uma companhia que trabalha para resolver um grande problema em que a solução não é obvia e o sucesso não é garantido’”, diz, para ressaltar que a empresa não precisa ser estritamente nova. “Basta estar sempre em busca de um produto ou processo inovador para colocar no mercado, correndo riscos e buscando grandes resultados.”

De acordo com a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), existem no Brasil mais de 10 mil startups, que movimentaram, só em 2012, quase R$ 2 bilhões. E melhor que explicar o conceito de startup e o porquê de esse modelo estar dando tão certo é apresentar cases de sucesso inspiradores, mostrando na prática como elas funcionam.

Crescendo rápido. Lançada no fim de 2011 e com produto já no mercado no início de 2013, a EvoBooks representa importantes características das startups: modelo de negócio inovador, grande impacto, com crescimento rápido e grande rentabilidade. A Evobooks é hoje uma das líderes globais em pesquisa e desenvolvimento de projetos de ensino e conteúdo curricular interativo para plataformas digitais, com faturamento de R$ 5 milhões em 2014 e com produtos e serviços presentes em mais de 1.100 escolas.

O pulo do gato. Os sócios Felipe Rezende e Carlos Grieco trabalharam por mais de três anos em uma consultoria de gestão para empresas educacionais. A imersão no setor levou a dupla a enxergar uma grande lacuna: tanto as escolas públicas, quanto as privadas estavam se modernizando com a aquisição de notebooks e tablets, mas faltava conteúdo de qualidade que engajasse os alunos e valorizasse o professor. Pronto! Nasceu aí uma startup. Hoje o sucesso é tamanho que a própria empresa já não se considera mais uma startup.

Não só de TI viverão as Startups. Já a Promip, uma empresa paulista de controle biológico de pragas fundada em 2006, ainda se considera uma startup. Apesar de não ser voltada à tecnologia digital, a empresa teve um início clássico de startup, num campus de universidade, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, interior de São Paulo. Os engenheiros agrônomos Marcelo Polleti e Roberto Konno viram no controle de pragas uma oportunidade e criaram o modelo de negócio da startup, que passou um período de três anos de incubação.

Pisando fundo. Única empresa brasileira com uma biofábrica para produzir e comercializar ácaros predadores, que complementam o uso de agroquímicos no controle de pragas, a Promip foi a primeira a receber aporte do Fundo de Inovação Paulista, idealizado pela Desenvolve SP. Poletti ressalta que, além do capital de R$ 4 milhões, a ser usado para investimentos em inovação, desenvolvimento e pesquisas, a participação do fundo vai melhorar a gestão da empresa. “Mais do que capital, o fundo traz governança e melhor administração, e chega numa hora importante, em que desejamos nos tornar uma holding.”

Eureca. Certo dia de 2013, o mineiro Max Oliveira comprava uma passagem aérea na internet, mas entre o momento da cotação e a tomada decisão o preço triplicou. Sua segunda opção foi avaliar a possibilidade de viajar usando suas milhas, mas ele também não tinha milhas aéreas suficientes para o voo. Foi aí que percebeu uma demanda a ser preenchida: um local em que as pessoas pudessem comprar ou vender milhas aéreas, o que gerou o modelo de negócio.

Importante parceria. A MaxMilhas, startup criada por Max, participou do Programa Start-Up Brasil, programa do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação, via uma parceria com a aceleradora digital 21212. “No início nosso calcanhar de Aquiles foi a área de TI, mas com o apoio conseguimos contratar pessoas para fortalecer a parte de programação, paga por meio de bolsas do Startup Brasil”, diz Oliveira. “O período de seis meses com a aceleradora também foi importante para nos ajudar na consolidação de uma estratégia de negócio, nas áreas comercial e de marketing.”

Ajustar para crescer. A ideia do Eventick, website dedicado à organização de eventos e compra de ingressos, surgiu da junção de duas startups em que os fundadores estavam envolvidos, ambas no setor de eventos, mas que “pivotaram” (a ideia original não decolou). “Nós percebemos que não estávamos conseguindo rentabilizar com o modelo de negócios de nossas antigas startups. Analisando as oportunidades e os mercados nacional e internacional, chegamos ao modelo do ideal, que na época era inédito no Brasil”, diz André Braga, sócio-fundador da Eventick.

Acelera aí, meu! Hoje, com quase três anos no mercado, a startup está em fase de crescimento nacional, com vendas na casa do R$ 1,5 milhão por mês. Após nascer em Recife, a empresa migrou para São Paulo, onde recebeu o apoio da aceleradora Aceleratech e da ESPM. “O programa durou quatro meses, e consideramos um processo de grande avanço para a empresa, tanto no estabelecimento em São Paulo, quanto as mentorias, definição de estratégias e penetração nacional”, conta André.

Adeus patrão. A startup de pesquisas digitais MeSeems foi fundada em 2013, após os colegas de infância Renato Alves Chu e Lucas Momm de Melo deixarem seus empregos em bancos de investimento para empreender. A startup é focada na geração de informações de valor para clientes e usuários. O aplicativo monitora opiniões por meio de smartphone, possibilitando uma nova forma de comunicação entre empresa e consumidores de forma divertida e funcional, além de recompensar os participantes com brindes e prêmios.

Ajuda angelical. Para crescer, a startup recebeu o aporte de um investidor-anjo. “O investimento em uma startup é com certeza um dos processos mais importantes, por viabilizar o sonho. Eles foram fundamentais para a empresa, agregaram valor discutindo a estratégia do negócio, nos ajudando com dúvidas e aprendizados e, claro, apresentando pessoas-chave para nosso crescimento", diz Lucas Melo, cofundador do MeSeems. Uma explicação: MeSeems é uma expressão em inglês equivalente a “it seems to me” ou “in my opinion” (em minha opinião).

Apoio. A Desenvolve SP mantém, além do Fundo de Investimento Paulista gerido pela SP Ventures, aportes em outros quatro fundos de investimento. Também oferece opções de crédito para startups como o Inovacred e o Inovacred Expresso, da Finep, e o BNDES MPME Inovadora, do BNDES.

O Start-Up Brasil é um programa voltado para desenvolvimento de startups, principalmente nas áreas de TI, desenvolvimento de hardware e software. Para obter acesso, as startups devem participar dos editais de concorrência lançados semestralmente. As selecionadas devem se associar a uma das aceleradoras aprovadas pelo programa para receber até R$ 200 mil para investir, principalmente na contratação de equipe e pagamento de colaboradores.

Saiba mais

ACELERADORA: Cede espaço físico e investe um pequeno capital na startup, por um curto espaço de tempo, de 6 a 12 meses. Tem participação na empresa em troca de serviços que vão de mentoria a networking. Mas o grande diferencial de uma aceleradora, segundo Oswaldo Fernandes, da Baita Aceleradora, “é que elas validam o modelo de negócio no mercado, de forma rápida e com baixo custo”.

INCUBADORAS: Próprias de ambientes universitários, buscam startups capazes de trazer ao mercado tecnologias e produtos criados nos laboratórios. Por isso, os setores da economia e o tempo de incubação são mais amplos, mas o suporte de mercado e gestão é parecido com o de uma aceleradora. No entanto, as incubadoras não alocam recursos diretamente nas startups nem detêm participação acionária.

PITCH: O pitch é um modelo de apresentação rápida para potenciais investidores na startup. O empreendedor deve, em poucos minutos, mostrar o potencial de sua ideia para convencer o investidor, seja ele um investidor-anjo ou um fundo de participação. É um primeiro contato e deve despertar interesse. Para se dar bem, é preciso treino e conhecimento profundo do negócio.

FUNDO DE INVESTIMENTO E PARTICIPAÇÃO: É uma importante fonte de recursos que injeta capital em empresas consolidadas ou startups com forte potencial de crescimento, por meio da compra de participação acionária. Com isso, o fundo traz gestão, governança, relacionamento e passa a participar das decisões da empresa. No Brasil, todos os Fundos de Investimento em Participações são regulados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

INVESTIDORES-ANJO: Diferente de fundos de participação, o investimento-anjo é geralmente feito por pessoa física ou grupo de pessoas, que compra uma participação minoritária do negócio, com investimentos menores, de no máximo R$ 1 milhão. Mas assim como o fundo, ele traz às startups o “smart-money” (dinheiro inteligente, em tradução livre). “É o investimento que traz mais do que simplesmente dinheiro, traz relacionamento, gestão, conhecimento de mercado, aumentando as chances de sucesso da startup”, afirma Maria Rita Bueno, da Anjos do Brasil.

CROWDFUNDING: O crowdfunding é uma forma de financiamento colaborativo, a popular “vaquinha”. Por meio de um site a startup apresenta seu produto ou serviço, e as pessoas interessadas na iniciativa contribuem com uma pequena quantia. Se a startup tiver sucesso, o investidor pode receber o dinheiro de volta com lucro.

LEAN STARTUP: É uma alternativa ao plano de negócios, é uma solução enxuta para testar produtos ou serviços antes de colocá-los no mercado. Em vez de desenvolver por completo um site ou app, por exemplo, as startups criam o que chamam de Produto Mínimo Viável, que deve ser alterado a partir do retorno dos usuários. O que, na opinião do professor de Empreendedorismo do Insper Marcelo Nakagawa, “permite ao empreendedor errar menos, errar fácil, gastar pouco e principalmente aprender com os erros”. Se não der certo, a startup "pivota": altera drasticamente a proposta para ser aceita no mercado.

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