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Uma realidade, muitas oportunidades


10 Jun 2016

Por Revista DesenvolveSP - edição 4

As adversidades podem pavimentar o caminho do sucesso. Esteja atento para sua empresa sair da crise ainda mais fortalecida

Olhar para o presente, mas sem perder o futuro de vista, este é hoje o grande desafio do empresário brasileiro. Enfrentar o momento ruim da economia sem deixar de planejar o crescimento e o sucesso é, segundo especialistas, a chave para sair fortalecido da crise. Nada é mais perigoso para a empresa do que a falta de perspectivas, quando a maré ruim passar, o que ficará é o que está sendo construído hoje.

Investir em inovação em um momento como o que atravessamos, para muitos, parece fora da realidade. No entanto, é nessas horas que o empresário precisa ir além e apostar em novas ferramentas. Internet das coisas, economia criativa e administração de dados, por exemplo, são áreas que crescem apesar da crise. Mas é preciso ter coragem e planejamento para aperfeiçoar ou até mesmo mudar a empresa. “É necessário aprender a operar de uma forma diferente, dentro de novos mercados para poder sobreviver”, afirma Marco Tulio Zanini, professor de Diagnóstico e de Gestão Estratégica da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Antes de sair se armando até os dentes para a batalha contra a crise, é preciso olhar para a própria empresa. O que o momento econômico significa para você e para o seu negócio? Algumas das maiores e mais antigas empresas do mundo passaram por diferentes tipos e intensidades de crises e, ao contrário do previsto, saíram mais fortalecidas.

A farmacêutica francesa Sanofi Synthélabo, por exemplo, entrou na recessão econômica iniciada em 2001 com uma sólida carteira de produtos. Durante a retração a empresa aumentou o gasto com pesquisa e desenvolvimento (P&D) de 950 milhões de euros em 2000 para 1,3 bilhão em 2003. Quando a crise passou, a empresa havia ganhado participação de mercado e superado a competição nas bolsas. Resultado: em 2004, comprou uma empresa rival muito maior, a Aventis.

A Apple é outro caso emblemático. A empresa já estava em dificuldades antes da recessão de 2001, com uma queda de 33% no faturamento em relação a 2000. Apesar disso, a Apple aumentou em 14% o gasto com P&D em 2001, investindo quase 8% da receita da empresa em inovação. Resultado: a Apple lançou o software e a loja de música iTunes em 2003 e o iPod Mini e o iPod Photo em 2004, inaugurando uma fase de crescimento que segue até os dias de hoje.

Repense o modelo de negócios Enquanto a maioria dos economistas aponta as dificuldades a serem enfrentadas pelas empresas, muitos especialistas em empreendedorismo orientam os empresários a buscarem soluções que resultem em novos negócios. “Um olhar atento pode enxergar oportunidades onde a maioria vê problemas. Um exemplo simples: na atual conjuntura, o consumidor pode preferir consertar o aparelho que tem a comprar um novo. O empreendedor inovador passa a oferecer serviços de manutenção, além de apenas vender o produto. O importante é manter o radar ligado, fazer uma boa leitura do mercado e planejar cada passo para aumentar as chances de sucesso”, diz Bruno Caetano, diretor-superintendente do Sebrae-SP.

Uma crise pode ser um momento de transformação para empresas e setores. A lógica econômica do negócio pode mudar devido a maior competição, mudança em custos de insumos, intervenção governamental ou novas políticas comerciais. O diferencial é se adiantar a essas mudanças e adaptar as estratégias antes da concorrência.

A gigante IBM é um exemplo de adaptação. Durante a recessão americana do começo da década de 1990, a empresa enfrentou não só a primeira queda na receita desde a década de 1940, mas também anos sucessivos de perdas recordes. Prejudicada pelo lento crescimento econômico, sobretudo na Europa e no Japão, e pelo aumento da competição, começou a repensar seu modelo de negócios. A empresa enfrentou o inevitável declínio de seu negócio tradicional, a fabricação de computadores, e se transformou na maior provedora de serviços e soluções de informática.

Existem ferramentas que podem auxiliar a empresa nesse processo de mudança. Serviços que usam big data, por exemplo, são investimentos que podem trazer ganhos de competitividade quando a economia retomar seu curso normal e a empresa precisar se destacar no mercado. Esses sistemas de gerenciamento de clientes podem traçar perfis analíticos de públicos-alvo de acordo com a necessidade de cada em presa, gerando maior impacto nas vendas, na retenção ou recuperação de clientes. “Identificar padrões e desenvolver ferramentas para melhor abordar o consumidor significa, para o empresário, ser muito mais assertivo, economizando tempo e dinheiro”, diz Gabriel Capra, sócio da Intrabase, empresa paulista especializada na análise e correlação de dados.

O método Canvas, idealizado por Alexander Osterwalder e Yves Pigneur, também é uma importante ferramenta que pode ser tão útil em planos de contenções de crise quanto para planejamentos estratégicos da empresa. A adoção do Canvas fará com que o empresário tenha uma visão ampla no negócio, ancorada no diagnóstico dos principais problemas e desafios que a empresa deverá enfrentar. Com isso o empreendedor terá melhores ferramentas para tomar decisões, estabelecer planos de ação e liderar a equipe rumo a um objetivo bem definido.

Crise, nossa velha conhecida Os ciclos mais intensos de desenvolvimento da economia brasileira vieram logo depois de períodos de crise. A própria história econômica nacional mostra isso. Foram crises que abriram caminho para o surgimento das grandes fazendas de café e para o início da industrialização, entre outros exemplos. Claro que a empresa não pode ficar parada, é preciso tomar uma série de medidas, fazer cortes no orçamento e, muitas vezes, até de pessoal. Nesses momentos, a liderança e o planejamento são fundamentais.

“Não pode faltar confiança ao empresário. É preciso entender que é o momento de buscar alternativas, pois vivemos em um ciclo, e essa fase certamente vai passar. O Brasil é um mercado consumidor muito grande, com economia forte, não tem mais a fragilidade do passado. Temos de passar com serenidade este momento”, diz Zanini, da FGV.

A solução está em mudar as estratégias e inovar. Todo empreendedor precisar ter coragem de se moldar, reinventar e atuar de forma inovadora continuamente. Diante de momentos de crise é hora de olhar para dentro e identificar as falhas em processos e estratégias para que se possa buscar uma maneira de driblar o mau desempenho econômico e obter sucesso. Enfrentar uma crise requer entendimento do ambiente de negócios, preparo para compreendê-la e ações para reagir.

Fonte: Revista DesenvolveSP - edição 4, p. 08